Domínios .qualquercoisa são mesmo uma boa idéia?
Fonte: http://webinsider.uol.com.br/index.php/2008/07/07/dominios-qualquercoisa-sao-realmente-uma-boa-ideia/
Por Moisés Ribeiro
Quando você vai se apresentar a um novo cliente, geralmente entre os dados de contato, indica também o seu endereço na web. Mesmo que você ainda não o faça, talvez seu novo cliente ou prospect já possa “fazer idéia” de onde encontrá-lo na internet, e uma das maneiras simples de verificar isso é o ato de digitar na barra de endereços do navegador o nome da sua empresa seguido do sufixo “.com.br”.
Hoje, há uma relação direta na ligação do nome de uma empresa com a sua terminação em domínios que estão “na cabeça” das pessoas (inclusive daquelas que sequer utilizam a web, como a minha mãe).
No Brasil, os websites com terminação “.com.br” representam mais de 90% dos registros existentes, mesmo que haja mais de cinqüenta outras terminações permitidas pelo Registro.br - o órgão que gerencia o registro de domínios no país. Entre tantas, há as também conhecidas “.org.br” e outras como a “.slg.br” (destinada a sociólogos, com atualmente 21 registros).
No último dia 26 de junho, o ICANN (Internet Corporation for Assigned Names and Numbers), que é a organização mundial que regula e organiza a concessão de domínios, divulgou a notícia de que está preparando a liberação de centenas de domínios para utilização e amplificação do uso da internet.
Entre as características previstas nessa liberação, está a permissão de registro de domínios “.qualquercoisa” (como o nome de uma cidade, uma marca, ou qualquer coisa mesmo) e a aplicação de caracteres “não-inglês” na criação de domínios, o que facilitaria a expansão da internet na Ásia e Oriente Médio.
Restrita aos vinte e um “top-domains” que têm aprovação atualmente, a ICANN parece estar disposta a flexibilizar bastante a criação dos novos domínios. Apesar de ser um plano que só será efetivamente aplicado a partir de 2009, já é certo que haverá uma espécie de submissão dos novos domínios (que poderão ser enviados por qualquer entidade, em qualquer lugar do mundo), para uma candidatura que será “aprovada” pela entidade.
Entretanto, como a própria ICANN já adiantou, não está previsto nenhum tipo de reserva de domínios para marcas. Mesmo que admitam que domínios de grandes marcas - como “.disney” - prevaleçam para seus reais proprietários, outros domínios podem abrir uma enorme discussão (o “.apple” pode dar uma bela briga da empresa de Steve Jobs com associações de produtores de maçãs que falam inglês, por exemplo).
Além disso, há a ruptura com padrões já mundialmente conhecidos, que é o caso do “.com.br” aqui no Brasil. Visto a quantidade de informações que geramos diariamente, “desorganizar” a web parece, ao mesmo tempo, necessário e arriscado.
A flexibilização poderá diminuir a atual dificuldade no registro de um domínio novo, e permitir que as próprias empresas ou governos passem a gerenciar a estruturação dos seus conteúdos na rede - a Coca-Cola, por exemplo, seria beneficiada por um domínio próprio para agregar o conteúdo produzido no mundo inteiro pela empresa. Ao invés de utilizar o “cocacola.com” pra centralizar a informação da marca, seria factível um domínio de melhor assimilação, como o “world.cocacola”.
Por outro lado, há um risco em modificarmos os modelos mentais que estão aplicados à sociedade, e que geralmente são conceitos resistentes. Mas não só neste sentido: também crescerá a quantidade de registros de uma marca, para que não fiquem “brechas” passíveis de má utilização. Utilizando a Coca-Cola como exemplo, para atender às diversas línguas, seriam necessários registros como o “mundo.cocacola”, “mondo.cocacola”, “welt.cocacola” e até um “svijet.cocacola” para os croatas.
Na argumentação da ICANN, esse é o caminho para integrar mais a internet à necessidade das pessoas de diferentes culturas a longo prazo. Será mesmo?
Sobre o autor
Moisés Ribeiro (contato@moisesribeiro.com) é formado em design pelo UniRitter e gestor do Núcleo de Projeto de Interfaces da AG2.