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A cultura erronea dos bits


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SOS Designers

 

A cultura erronea dos bits

Por algum tempo, adiei a produção desta matéria por diversos motivos, porém desta vez decidi colaborar com a comunidade em geral alertando sobre algumas coisas que vêm chamando minha atenção: a cultura errônea instalada no mundo da informática em geral, principalmente com relação à venda de componentes de hardware e software e a banalização do webdesigner no Brasil.

Ao contrário do que alguns possam imaginar, não me auto-entitulo Doutor, P.H.D ou qualquer coisa que o valha na área, apesar de burocraticamente possuir o diploma de curso superior de Especialista em Webdesign. Minha experiência e conhecimento sobre o que comentarei adiante foram adquiridos através de muitos erros e acertos (mais erros para ser mais exato, pois me ajudou mais tarde a aumentar o nível de acertos. Mas a aprendizagem nunca termina.).

Bem, vamos ao que interessa!

Caminhando pela Rua Santa Ifigênia, o paraíso de quem procura algo para seu computador, ouvi o seguinte comentário de um vendedor que tentava vender seu "peixe" para um cliente: - "Essa placa-mãe é toda OFFBOARD, só vem com som 3D junto".

Na mesma hora, senti um calafrio na espinha e imaginei o tamanho do absurdo que aquele cliente estava ouvindo (e aceitando). Porém justifico minha reação: desde 1987, quando comecei a ter contato com computadores, especialmente um CP400 da Prológica um MSX Hot Bit e um TK90-X, tais termos eram praticamente desconhecidos. Essas nomenclaturas só começaram a ganhar força em meados de 1991, 1992 com a vinda dos primeiros PCs 486 no Brasil.

Passou mais de uma década e sempre carreguei o conceito de que uma placa-mãe "OFFBOARD" real era isenta de qualquer componente agregado. Simplesmente era um amontoado de solda com os "Slots" de fixação do processador e os demais componentes, como placa de vídeo, som, modem e demais acessórios. Porém, os tempos mudaram e o mundo mudou. A globalização bateu em nossas portas e fomos obrigados a nos atualizar e correr contra o tempo.

Talvez, eu esteja antiquado ou realmente a distorção existente é assombrosa.

Muitas pessoas passaram a trabalhar com computadores, porém com alguns vícios ou menor embasamento técnico e infelizmente a cultura original foi mudada, como qualquer história antiga "remodelada" para a atualidade. Por diversas vezes na TV ouço as promoções de lojas "especializadas" em artigos de computadores dizendo verdadeiros absurdos, como: "- Computador última geração…" e vem com multimídia 52x "...".

Ora, será que todo o kit multimídia é 52x ou só o drive de CD-ROM possui uma velocidade nominal de 52x? Não consigo imaginar as caixas de som na minha mesa rodando desesperadas a 52x. Seria algo realmente assustador para Padre Quevedo nenhum botar defeito. Esses são alguns de muitos exemplos de que poderia citar, porém isso serve para alertar você amigo mais leigo de que nem todo mundo nasceu gostando disso, apenas sobrevive, portanto a abordagem muda consideravelmente.

E lembre-se: PLACAS-MÃE OFFBOARD NÃO VÊM COM NADA (eu disse NADA "junto"). Quem disser o contrário pode dar uma grande gargalhada e sugerir começar a vender outra coisa.

Mudando um pouco de assunto, você é um webdesigner?

história diz que muitas profissões ou ciências sofreram algum tipo de preconceito. Medicina, artes cênicas, filosofia, etc… Todos elas foram julgadas no seu tempo por motivos político-sociais, religiosos, dentre outros, até que após muita luta se provou o contrário. Pois então a história está adicionando mais uma profissão para o rol das ditas "profissões que qualquer um pode seguir": a difícil missão de ser um Webdesigner.

A complicação começa quando nos deparamos com as seguintes perguntas: Quando surgiu o Webdesign? Quem é Webdesigner? O que eu preciso fazer para ser um? Quanto cobrar por um serviço?

Bem, primeiramente devo alertar: Se você pensa que ser webdesigner é apenas saber mexer mais ou menos em um editor visual de HTML e fazer um FTP, esqueça.

O Webdesign é uma profissão fantástica, mas só têm sucesso aqueles que enxergam além de seus mouses e monitores. Pena que está tão banalizada pela sociedade a ponto de não haver nenhum órgão responsável pela categoria e tampouco um registro reconhecido pelo Ministério de Trabalho para diferenciar os que realmente estudaram para isso dos famosos "sobrinhos que fazem página".

Tal como o hardware, ocorreu o mesmo comigo em reação ao webdesign. Precisei aprender muita coisa para finalmente entender que um webdesigner não é só aquele que clica na tela, puxa e estica fotos, usa um editor visual e mostra sua grande obra de arte para todos verem. Antes de tudo, AME a sua profissão como a si mesmo. (não, não se trata de nenhuma heresia bíblica.). É isso mesmo. Esta profissão requer paixão, vontade e quem tiver DOM para isso, terá percorrido um trecho a mais nesta caminhada.

Em seguida, lembre-se daquele famoso ditado: "O cliente merece respeito e sempre está com a razão".Ou quase sempre… porém se este for o caso, você terá que usar muita psicologia e jogo de cintura para mostrar um outro ponto de vista sem ferir seu orgulho ou inteligência. E o que foi citado acima é o que mais falta nos "webdesigners" da atualidade. Compromisso, respeito e responsabilidade.

Um bom webdesigner não é aquele que sabe "mexer" em todos os programas, mas sim aquele que abstrai o melhor de todos os recursos disponíveis para atingir seu objetivo, e conseqüentemente, do seu cliente. Outro alerta para quem solicita os serviços de um "webdesigner" é lembrar-se sempre de outro ditado muito popular: "O barato pode sair caro". E dependendo do caso, muito caro!

É difícil até um certo ponto dimensionar se o preço cobrado por um "profissional" está compatível com o que pode oferecer, mas existe uma grande arma para quem necessita de um parâmetro: solicitar portifólios e referências. Acredito que atualmente é a melhor maneira de conhecer a pessoa, seus trabalhos, seu estilo e até mesmo suas pretensões.

Quando me solicitam orçamentos, digo que cobro o justo. Assim mesmo, o conceito de justo é questionável. Então peço ao cliente que pesquise não só os preços, mas os profissionais que estão por trás dele. Conseqüentemente muitos deles acabam se convencendo de que o barato não é sempre sinônimo de qualidade e eficiência.

Lembre-se de que, depois da inteligência, somos dotados de outro dom divino: o livre arbítrio. Vamos utilizá-los da melhor maneira para que não soframos mais com tantas injustiças.

Errar é humano, mas "errardware" demais não.


Por: Fabiano Ferreira (fabweb@ig.com.br) em 19/01/2004

Fonte:Superdownloads